Para lá da tradicional: as francesinhas fora do comum do Porto
Por bestfrancesinha
A francesinha tradicional é, por natureza, um prato de carne: pão de forma, várias carnes e enchidos, queijo derretido e um molho quente à base de tomate e cerveja. Mas ao longo das décadas surgiram versões que fogem à receita clássica — algumas por necessidade, outras por pura criatividade. Aqui ficam as principais.
A poveira: a prima costeira que se come à mão
A variante regional mais documentada é a francesinha poveira, criada na Póvoa de Varzim no início dos anos 60. A história conta que o café Guarda-Sol, no Passeio Alegre, quis trazer a francesinha do Porto para a cidade, mas decidiu não a copiar inteiramente. O cozinheiro António Carriço criou uma versão para se comer à mão entre banhos de mar.
As diferenças são claras: a poveira usa pão de cacete em vez de pão de forma, e na sua forma original não leva molho por cima — o molho (à base de manteiga composta, com piripiri) é barrado por dentro. Hoje existe também a versão "especial", servida no prato com bife, ovo e batatas fritas. A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim chegou a promover a iniciativa "Na Rota da Francesinha Poveira" para valorizar a variante.
A vegetariana e a vegan: repensar o prato de raiz
Uma boa francesinha vegetariana não é uma francesinha "a que se tirou a carne" — é um prato repensado. O maior desafio é o molho, que tradicionalmente leva carne ou enchidos na base. Vários restaurantes da zona oferecem hoje versões sem carne, com queijo vegetariano ou vegetal e molho adaptado:
- Francesinhas Al Forno da Baixa (Porto) — várias versões vegan na carta: de tofu, de seitan, de tempeh e de caril.
- O Oriente (Porto) — restaurante vegetariano na Baixa, conhecido pela sua francesinha.
- Terrárea (Matosinhos) — restaurante vegetariano e vegan onde a francesinha integra o buffet, com pão alentejano e recheio de cogumelos portobello, beringela, courgette e cebola assada.
- Lado B (frente ao Coliseu do Porto) — oferece versão vegetariana e vegan a par da tradicional.
A sem glúten: o desafio do pão e do molho
Para celíacos, a francesinha é "um festival de glúten" — pão, molho com farinha, cerveja. Adaptá-la exige substituir todos esses componentes. Dois nomes destacam-se na zona do Porto:
- Tasquinha do Bé (Baixa do Porto) — referenciada repetidamente por celíacos como um dos poucos sítios onde se come francesinha sem glúten em segurança, com a maioria do menu adaptável.
- Gluten Freak (Rua da Torrinha, Porto) — espaço totalmente sem glúten, com pão de francesinha feito exclusivamente para a casa numa pastelaria certificada.
As criativas: gambas, cogumelos e forno a lenha
Há ainda as variantes que nascem da pura experimentação. A própria Wikipédia documenta clássicos históricos como a Francesinha à Barcarola (com gambas e camarão) ou a Francesinha à Cascata (com cogumelos e natas). Mais recentemente surgiram versões com pão de cacete tostado em vez de pão de forma, francesinhas cozinhadas em forno a lenha, e propostas de autor que reinterpretam o molho com vinho do Porto, brandy ou whisky.
Conheces uma francesinha fora do comum que não está nesta lista? Escreve-nos — estamos sempre a atualizar o nosso ranking.